Segunda-feira, Novembro 26, 2007
A Chama ao Vento
(ou prece a corações juvenis)
Aquele que se cala, consente. Aquele que se resigna é culpado. Aquele que se rende tem as mãos tão sujas de sangue quanto a quem são rendidos. Talvez sejam formas extremistas de ver as coisas, mas chegamos a um ponto em que é necessário ir a extremos. É necessário tomar uma posição. Ficar neutro é como estar em ponto morto - é ser conivente, covarde.
Se tombarmos, que seja com o orgulho de termos lutado até o fim. Que seja com o orgulho de ter acreditado em todos os momentos em um mundo melhor. Podemos ser obstinados, podemos ser irascíveis e até mesmo inflexíveis. Mas ninguém poderá nos acusar no futuro de ter perdido a fé, de ter deixado morrer nossos ideais, de ter permitido e até mesmo contribuído para o caos.
Não podemos continuar a ser meros espectadores aterrorizados - não podemos permitir que a barbárie se sobreponha à civilidade, não podemos permitir que ela se torne parte do nosso cotidiano e que a ela nos tornemos insensíveis. Não podemos mais ser uma chama ao vento, prestes a se apagar.
Nos tornaremos cúmplices se pensarmos que o inadmissível é irremediável. É necessário agir, e agir sem demora. Ou então, estaremos apenas diante do fracasso, pois posterior ao sofrimento, à dor e à morte.
Sábado, Julho 28, 2007

Orgulho e Preconceito
O que configura alguém como ser humano? O que estruturalmente nos faz olhar para o outro e dizer: você é uma pessoa, como eu?
Não temos todos um corpo com cabeça, olhos, boca, nariz, orelha e boca? Um corpo com tronco e membros?
Anatomicamente a maioria de nós não possuí o mesmo aparato que são reconhecidamente estruturas humanas?
O que estaria faltando? Talvez aquilo que chamamos de alma. Aquela coisa tão difícil de definir...
Mas é o lugar onde residem nossos sonhos, e anseios, nossos choros e nossos risos.
Sendo todos nós seres que sentem no corpo e na alma, somos todos iguais, todos humanos, na base dessas estruturas.
Seres com os mesmos desejos, medos, alegrias e anseios.
Se somos tão iguais, por que nos atemos tanto à pequenas diferenças?
A cor dos olhos, o tamanho do nariz, a cor da pele, a altura, a raça ou religião em que nascemos e crescemos, a casta ou classe social a que pertencemos?
Apesar de todas as similaridades estruturais, é nessas diferenças que nos apoiamos para que nos sintamos melhor que os demais, superiores. Uma necessidade de calar a baixa auto-estima e a insegurança através da humilhação do outro.
È aí que nascem o orgulho e o preconceito. Na nossa necessidade doentia em acreditar que um pessoa vale mais que a outra simplesmente pela cor dos olhos, pela cor da pele, por ter magia correndo em suas veias.
As pequenas diferenças deveriam apenas ser um enriquedora diversidade em nossa convivência, não instrumento de ódio e cisão.
Mas, por que se apegar nas contradições amargas dessas pequenas diferenças. Não temos todos olhos, boca, nariz, corpo e alma? Não é isso que nos torna humanos e faz com que enxerguemos no outro alguém como nós?
Simplesmente humano?
pelo Mensageiro
Quinta-feira, Maio 10, 2007
Edição Especial
È com muito orgulho que anunciamos uma edição especial do Olho do Grifo. Excepcionalmente temos em mãos uma edição com textos das nossas duas talentosas escritoras, a Domadora de Dragões e a Fada Prensada. Esperamos que gostem, e, principalmente reflitam.
Att,
O Mensageiro (editor do Olho do Grifo)
Crime e Castigo(ou daquilo que é justo e que não é)
O que é justiça? Essa pergunta tem centenas de respostas. a depender do ponto de vista do qual seja analisada. Moralmente, juridicamente, politicamente - a justiça reflete a sociedade de sua época, variando em cada período histórico.
Existe, porém, algo intrínseco a essa palavra, um elemento não variável. Algo que, independente da cultura, das pessoas ou da década, permanece. É uma "idéia ideal", uma utopia, um devaneio. Inefável, perene. Certo.
Justiça é dar aquilo que é de direito a quem de direito o merece. É a velha prece "é dando que se recebe". São os códigos dos quais o juiz é a voz. Justiça, palavra da qual não se pode fugir. Justiça.
Como o amor, a palavra justiça foi vulgarizada. em pensar duas vezes, ela corre para os lábios, pronunciada profanamente. Incautos são aqueles que apontam o dedo acusadoramente; sem que haja prova, imediatamente votam por culpado - são os primeiro a jogarem as pedras.
Culpado ou inocente? Se houve crime, há de haver castigo. Mas há justiça? Ou será ela uma esperança remota do homem, um ideal que esperamos dos outros, mas não de nós mesmos? Há justiça na intolerância? Na intransigência? Ou na caridade? No perdão? Se há crime, há castigo.
Certo. errado. Palavras, puros conceitos. Sorte, azar, astúcia, ignorância. Amontoados de letras "dor-de-cabeça". Justiça. Proporção? Eqüidade? Sentimento humano ou responsabilidade divina?
O que é justo para você?
por Domadora de Dragões
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O Julgamento diante Pilatos
O céu não esconde o que não gostaríamos de ver e as estrelas, os olhos da noite, assistem a escuridão. O medo e a incerteza nos atropelam e a noite passa a ser um fantasma ameaçando nossa paz.
Nossas vidas, de repente, se transformam num recanto solitário e a desconfiança reina entre os mortais. E já não podemos ouvir o riso, não há mais graça, e se há, não existe sensibilidade para percebê-la. Algumas pessoas, então, perdem o senso ético e moral. Passam a viver um prolongado lapso de benevolência e conduta. E são maculadas por um sinal verdadeiramente sombrio. Entramos todos, marcados de uma maneira ou de outra, numa roda viva, num mundo sem fim. A roda da fortuna. A torre. A morte.
Reflitamos. Em quem confiar em tempos de guerra?
O que estaremos fazendo pelos nossos ideais se vendarmos os olhos para a realidade? De quem é a sanidade se tivermos medo com pedras nas mãos? Quem lutará pela inocência se estivermos sempre negando a verdade e escondendo as provas?
Quem lutará pela justiça se nos conformarmos e simplesmente lavarmos as mãos?
Ansiamos por ter vida simples, sermos somente crianças esperando pela terra prometida. Gostaríamos de poder dormir quando a noite caísse sobre nós, e sonharmos com flores caindo das mãos. Mas não podemos. Estamos velando pelo grito de uma multidão furiosa, esperando um gesto de amor que poderia nos salvar agora. E quem nos salvará agora? Lutemos então. Há uma cruz pesada e espinhos que não param de sangrar em vão. Sangrando então, todas as culpas inventadas são derramadas no chão. Lutemos enquanto bebemos o sangue de nossa coroa de sofrimento e o mundo nos acusa de insanos. Que seja. Qualquer coisa a cruzarmos os braços.
Por que quem lutará pela justiça se nós nos negarmos a aceitar a verdade e omitirmos as provas?
E quem lutará pela inocência se continuarmos a lavar as mãos?
por Fada Prensada
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